Estamos próximos de uma nova crise imobiliária de 2008?

Foto divulgação
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Lembro como se fosse ontem: quando o vírus da covid-19 começou a se espalhar ao redor do planeta e foi decretado estado de calamidade pública nos EUA, um grande número de pessoas, guiadas pelo medo, colocaram seus imóveis à venda. E esse crescimento da oferta no setor imobiliário gerou um desequilíbrio comercial.

Com essa mudança drástica e inesperada na proporção de oferta e demanda, os preços dos imóveis ficaram cada vez menores, pois a maior parte das pessoas buscava liquidez naquele momento de tantas incertezas. As construtoras, por exemplo, ofereciam bônus elevados e muito atrativos para se livrarem dos estoques rapidamente, com medo de ficarem no prejuízo. E, assim como eu, alguns investidores que tinham capital guardado e ousadia para apostar na recuperação da economia aproveitaram a oportunidade para investir.

À medida que a população voltou a circular nas ruas e a vacina começou a se tornar uma realidade, houve o efeito reverso: o aumento da demanda. Na Flórida, que é onde eu moro, por exemplo, houve um crescimento altíssimo na imigração, o que também ajudou a aquecer o mercado. Com isso, o imóvel se tornou cada vez mais caro, gerando a temida especulação imobiliária, que foi um dos fatores desencadeadores da crise de 2008.

Um dos temores atuais é o de que aquele cenário alarmante de 2008 se repita. No entanto, o cenário atual é bem diferente daquele há 14 anos. Uma das lições da crise financeira foi um aumento na cautela na concessão de crédito. Deste modo, os indivíduos que financiaram os seus imóveis nos últimos anos possuem uma pontuação de crédito muito mais alta do que aqueles no passado. Tal mecanismo foi instaurado justamente para garantir o pagamento das parcelas. Portanto, é menos provável que ocorra inadimplência.

Além disso, as novas hipotecas concedidas aos chamados compradores subprime – que são os que possuem a pontuação de crédito mais fraca – correspondem a apenas cerca de 2% do total. A critério de comparação, esse número era de cerca de 15% em 2008. Deste modo, é improvável que ocorra novamente uma crise financeira em larga escala como naquele período. O momento é delicado, algumas pessoas infelizmente terão dificuldade para honrar acordos; mas, ao que parece, as lições foram aprendidas após o capitalismo ficar em cheque.

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