Avaliação da visão funcional amplia a eficácia da reabilitação em crianças com paralisia cerebral
Por: Ana Paola “A terapeuta ocupacional Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães destaca que compreender como a criança utiliza a visão em suas atividades diárias permite definir estratégias terapêuticas mais assertivas e promover maior autonomia.” A avaliação da função visual em crianças com paralisia cerebral tem conquistado cada vez mais espaço entre as estratégias que […]
Por: Ana Paola “A terapeuta ocupacional Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães destaca que compreender como a criança utiliza a visão em suas atividades diárias permite definir estratégias terapêuticas mais assertivas e promover maior autonomia.”
A avaliação da função visual em crianças com paralisia cerebral tem conquistado cada vez mais espaço entre as estratégias que promovem o desenvolvimento infantil, ampliam a autonomia e melhoram a qualidade de vida. Nesse cenário, a atuação da terapeuta ocupacional Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães destaca-se pela dedicação à pesquisa, ao atendimento clínico e à busca por métodos capazes de compreender como cada criança utiliza a visão em suas atividades cotidianas.
Graduada em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais entre 2001 e 2004, Letícia construiu uma trajetória marcada pela excelência acadêmica. Posteriormente, foi aprovada na Residência Nacional da AACD/SP (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Ao longo de sua carreira, participou de diversos congressos científicos, entre eles o VII Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional, consolidando sua atuação clínica e científica na reabilitação neurológica infantil.
“A Terapia Ocupacional permite enxergar além do diagnóstico. Nosso objetivo é compreender como cada criança interage com o mundo e criar caminhos para ampliar sua autonomia.”
— Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães
Estudos mostram que até 90% das crianças com paralisia cerebral apresentam algum tipo de alteração visual, sendo a Deficiência Visual Cortical (DVC) uma das condições mais frequentes. Diferentemente dos problemas oculares tradicionais, nessa condição os olhos podem estar estruturalmente saudáveis, porém o cérebro encontra dificuldades para interpretar corretamente as informações visuais recebidas.
Por esse motivo, a avaliação vai muito além dos exames oftalmológicos convencionais. Além de analisar estruturas como córnea, retina e nervo óptico, é fundamental observar como a criança utiliza a visão em situações reais do cotidiano. Os profissionais avaliam, por exemplo, se ela consegue acompanhar objetos em movimento, reconhecer rostos, localizar brinquedos, fixar o olhar e responder adequadamente aos estímulos do ambiente.
“Cada pequena resposta visual representa uma informação valiosa para entendermos como o cérebro está processando o ambiente e quais estratégias podem favorecer esse desenvolvimento.”
— Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães
Entre as ferramentas utilizadas está o Visual Function Classification System (VFCS), sistema internacional que classifica a função visual em cinco níveis, permitindo uma avaliação mais precisa das capacidades funcionais da criança. Essa classificação auxilia toda a equipe multiprofissional na definição de objetivos terapêuticos e condutas mais adequadas às necessidades individuais de cada paciente.
O reconhecimento do trabalho desenvolvido por Letícia também veio por meio da pesquisa científica. Ela conquistou o segundo lugar, com Menção Honrosa, no III Prêmio Renato da Costa Bomfim, durante o XVIII Dia do Residente da AACD. A premiação destacou a relevância e a originalidade de seu estudo sobre a avaliação da função visual em crianças com paralisia cerebral, reforçando a importância de integrar evidências científicas à prática clínica.
“A pesquisa aproxima a ciência da prática clínica. Quando produzimos conhecimento, conseguimos oferecer tratamentos mais individualizados e resultados mais consistentes para as famílias.”
— Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães
Outro aspecto fundamental é a atuação integrada entre oftalmologistas, ortoptistas, neurologistas, fisiatras e terapeutas ocupacionais. Esse trabalho interdisciplinar permite identificar precocemente as limitações visuais e desenvolver estratégias terapêuticas que estimulem o cérebro de maneira mais eficiente, potencializando o desenvolvimento infantil.
Na rotina da reabilitação, recursos aparentemente simples podem fazer grande diferença. Ambientes com menos estímulos visuais, iluminação direcionada, brinquedos luminosos, lanternas e objetos com alto contraste facilitam a identificação das informações visuais, favorecem a fixação do olhar e o acompanhamento dos movimentos. No entanto, cada criança apresenta características, necessidades e objetivos próprios, que devem ser avaliados individualmente para que as intervenções sejam realmente eficazes.
“Quando adaptamos o ambiente às necessidades da criança, oferecemos oportunidades reais para que ela desenvolva suas habilidades visuais e participe de forma mais ativa das atividades do dia a dia.”
— Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães
Com mais de duas décadas de experiência em Terapia Ocupacional, aliando assistência clínica, pesquisa e formação especializada em reabilitação neurológica, a Dra. Letícia Cançado Carlos de Magalhães reforça a importância da avaliação da visão funcional como parte essencial do cuidado às crianças com paralisia cerebral.
Ao integrar conhecimento científico, avaliação funcional e intervenção interdisciplinar, a Terapia Ocupacional contribui para uma reabilitação mais individualizada, promovendo desenvolvimento, autonomia, participação nas atividades cotidianas e melhor qualidade de vida para as crianças e suas famílias.
